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Período de incubação da ferrugem do cafeeiro* * Parte do projeto de doutorado junto à Faculdade de Engenharia Agrícola-Unicamp

Incubation period of coffee leaf rust

RESUMO

O café é uma das culturas com grande expressão mundial e, dentre as principais doenças, a ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix Berk. & Br.), é considerada a mais importante. Uma das formas de avaliar a severidade da ferrugem é por meio de equações que estimam o período de incubação (PI) do fungo. O presente estudo teve o objetivo de revisar os principais trabalhos sobre a ferrugem do cafeeiro e o período de incubação, de maneira a elucidar as principais equações desenvolvidas para esse fim. Na literatura, encontrou-se dez equações que estimam os valores do PI, para diferentes condições. A maioria dos estudos brasileiros utilizam a equação de Moraes et al. (31), desenvolvidas para cultivo a pleno sol e sombreado, em condição de macroclima. O estudo do PI é utilizado em diferentes níveis hierárquicos e em diferentes cenários climáticos sendo importante para tomadas de decisão e políticas públicas, auxiliando agricultores no planejamento e gerenciamento da área.

Palavras-chave
Hemileia vastatrix; doença café; equações

ABSTRACT

Coffee is one of the world’s most famous crops and, among its major diseases, coffee leaf rust (Hemileia vastatrix Berk. & Br.) is considered most important. One of the ways to evaluate rust severity is by means of equations that estimate the incubation period (IP) of the fungus. The present study aimed to review the main studies on coffee leaf rust and its incubation period, in order to elucidate the main equations developed for this purpose. In the literature, there are at least ten equations that estimate IP values for different conditions. Most of the Brazilian studies have used the equation of Moraes et al. (31), developed for full sun and shade cultivation, under macroclimate condition. The study of IP is used at different hierarchical levels and in different climatic scenarios and is important for decision making and public policy, assisting farmers in the planning and management of the area.

Keywords
Hemileia vastatrix; coffee disease; equations

O café é o produto tropical que mais se negocia no mundo e, mesmo ainda sendo considerado uma “commodity”, vem ganhando status de especialidade (“speciality”) no mercado internacional, em razão das exigências cada vez maiores dos consumidores. Em todo o mundo, são tomadas mais de 500 bilhões de xícaras de café por dia (1212 Business Insider. Incredible Facts about the Global Coffee Industry. New York, 2014. Disponível em: <http://www.businessinsider.com/facts-about-the-coffee-industry-2011-11#after-crude-oil-coffee-is-the-most-sought-commodity-in-the-world-1>. Acesso em: 10 fev. 2017.
http://www.businessinsider.com/facts-abo...
). Produzido em mais de 70 países (77 Associação Brasileira da Indústria de Café. Estatística. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.abic.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=61#1910>. Acesso em: 10 fev. 2017.
http://www.abic.com.br/publique/cgi/cgil...
), sustenta 120 milhões de pessoas, sendo a maioria de pequenos cafeicultores dos países em desenvolvimento (2020 International Coffee Organization. Belo Horizonte declaration. London, 2013. Disponível em: <http://www.ico.org/documents/cy2012-13/belo-horizonte-declaration-e.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2017.
http://www.ico.org/documents/cy2012-13/b...
).

No Brasil, a cafeicultura é um dos setores da economia que contribui decisivamente na formação do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, gerando empregos diretos e indiretos e colaborando com o aumento da renda do trabalhador rural. A safra de 2016 foi responsável por 35,5 % do mercado internacional, totalizando 56,8 milhões de sacas produzidas (2121 International Coffee Organization. Total production by all exporting countries. London, 2017. Disponível em: <http://www.ico.org/prices/po-production.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2017.
http://www.ico.org/prices/po-production....
). O país é o maior produtor mundial do grão, seguido do Vietnã e da Colômbia, com 25,5 e 14,6 milhões de sacas, respectivamente (2121 International Coffee Organization. Total production by all exporting countries. London, 2017. Disponível em: <http://www.ico.org/prices/po-production.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2017.
http://www.ico.org/prices/po-production....
).

Dentre as principais doenças do café, a ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix Berk. & Br.), é considerada a mais importante, uma vez que, em regiões onde as condições climáticas são favoráveis, os prejuízos na produção podem chegar a mais de 50% (4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 3737 Patrício, F.R.A.; Oliveira, E.G. Desafios do manejo no controle de doenças do café. Visão Agrícola, Piracicaba, v. 12, p.51-54, 2013.), sendo muitas vezes devastadores no cafezal.

A velocidade com que o patógeno se reproduz, está diretamente associada com a severidade da doença (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.). O período de incubação (PI), que é compreendido pelo tempo entre a germinação e a penetração do fungo nos tecidos vegetais até o aparecimento dos primeiros sintomas (4242 Vanderplank, J.E. Plant diseases: epidemics and control. New York: Academic, 1963., 3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976., 88 Bergamin Filho, A.; Amorim, L. Doenças com período de incubação variável em função da fenologia do hospedeiro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.27, p.561-565, 2002., 4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 2727 Meira, C.A.A. Processo de descoberta de conhecimento em bases de dados para a análise e o alerta de doenças de culturas agrícolas e sua aplicação na ferrugem do cafeeiro. 2008. 478p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000443483&fd=y>. Acesso em: 30 abr. 2013.
http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/...
), pode ajudar a explicar este fato.

O período de incubação é influenciado por fatores ambientais, principalmente pela temperatura (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961., 3333 Nutman, E.J.; Roberts, F.M. Studies on the biology of Hemileia vastatrix Berk. et Br. Transactions of Britisth Mycological Society, Cambridge, v.46, n.1, p.27-48, Jan. 1963., 4141 Romeiro, R.S. Germinação e poder infectivo dos uredósporos de Hemileia vastatrix Berk. et Br. mantidos sobre diferentes produtos vegetais e o suscetível. 1971. 41p. Dissertação (Mestrado em Microbiologia Agrícola) - Universidade Federal de Viçosa, 1971., 3232 Moraes, S.A. A ferrugem do cafeeiro: importância, condições predisponentes, evolução e situação no Brasil. Campinas: Instituto Agronômico, 1983. 50 p., 33 Alfonsi, R.R.; Ortolani, A.A.; Pinto, H.S.; Pedro Júnior, M.J.; Brunini, O. Associação entre nível de infecção da ferrugem do cafeeiro, variáveis climáticas e área foliar, observados em Coffea arabica L. In: Congresso Brasileiro Sobre Pesquisas Cafeeiras, 2, 1974, Poços de Caldas. Anais. Rio de Janeiro: IBC, 1974. p.80-83., 1111 Brown, J.S.; Kenny, M.K.; Whan, J.H.; Merriman, P.R. The effect of temperature on the development of epidemics of coffee leaf rust in Papua New Guinea. Crop Protection, v. 14, n.8, p. 671-676, 1995., 3939 Pereira, A.R.; Camargo, A.P.; Camargo, M.P. Agrometeorologia de cafezais no Brasil. Campinas: Instituto Agronômico, 2008. 127p.). Regiões com temperaturas mais elevadas apresentam menores valores do período de incubação, sugerindo que o ciclo do patógeno pode diminuir, indicando maior probabilidade na severidade da doença. Por outro lado, regiões com temperaturas amenas tendem a apresentar valores do período de incubação maiores, indicando menor probabilidade de incidência da ferrugem do cafeeiro (3939 Pereira, A.R.; Camargo, A.P.; Camargo, M.P. Agrometeorologia de cafezais no Brasil. Campinas: Instituto Agronômico, 2008. 127p.).

A maioria dos trabalhos que analisam PI, utilizam a equação desenvolvida por Moraes et al. (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.), mas existem na literatura, pelo menos outras nove equações que também estimam PI, e podem ser utilizadas em diferentes condições, como por exemplo em condições de cultivo sombreado, pleno sol, com a utilização de dados de macroclima e de microclima. A análise do período de incubação da ferrugem utilizando modelos de regressão data de 1960, quando as primeiras equações surgiram.

Esse trabalho tem por objetivo revisar e discutir os principais trabalhos sobre a ferrugem do cafeeiro e o período de incubação, de maneira a elucidar as principais equações desenvolvidas para esse fim e como essas podem ser utilizadas em trabalhos da ferrugem do cafeeiro.

Histórico da Ferrugem do Cafeeiro

A ferrugem foi encontrada pela primeira vez no mundo em 1861, em cafeeiros silvestres, próximo ao Lago Victória, no Quênia, África Oriental (99 Berkeley, B. Hemileia vastatrix Berk. & Broome. Gardeners’ Chronicle, London, England, v.6, p.1157, 1869., 3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu.). O fungo Hemileia vastatrix Berk. & Br, foi descrito pela primeira vez por Berkeley (99 Berkeley, B. Hemileia vastatrix Berk. & Broome. Gardeners’ Chronicle, London, England, v.6, p.1157, 1869., 3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu.). Em 1867, apareceu no Ceilão, hoje Sry-Lanka, e, dois anos após, em 1869, a doença já demonstrava gravidade (99 Berkeley, B. Hemileia vastatrix Berk. & Broome. Gardeners’ Chronicle, London, England, v.6, p.1157, 1869., 1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756., 2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p., 3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu.). Sua devastação foi tamanha que o país deixou o cultivo do cafeeiro e passou a cultivar o chá (2727 Meira, C.A.A. Processo de descoberta de conhecimento em bases de dados para a análise e o alerta de doenças de culturas agrícolas e sua aplicação na ferrugem do cafeeiro. 2008. 478p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000443483&fd=y>. Acesso em: 30 abr. 2013.
http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/...
).

A ferrugem do cafeeiro provoca queda precoce das folhas, seca de ramos, que não produzirão frutos no ano seguinte. Os primeiros sintomas da doença são manchas cloróticas com 1 a 3 mm de diâmetro (1111 Brown, J.S.; Kenny, M.K.; Whan, J.H.; Merriman, P.R. The effect of temperature on the development of epidemics of coffee leaf rust in Papua New Guinea. Crop Protection, v. 14, n.8, p. 671-676, 1995., 1313 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M. Doenças do cafeeiro: diagnose e controle. Belo Horizonte: EPAMIG, 2000. 44p. (Boletim Técnico, 58)., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.), sendo que, posteriormente, formam-se pequenas manchas circulares de coloração amarelo-alaranjadas, na face inferior da folha, podendo atingir até 2 cm de diâmetro (4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.) e, sobre a mancha, forma-se uma massa pulverulenta de uredósporos. Na face superior das folhas, é possível observar manchas cloróticas amareladas, que necrosam no estágio mais avançado (1313 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M. Doenças do cafeeiro: diagnose e controle. Belo Horizonte: EPAMIG, 2000. 44p. (Boletim Técnico, 58)., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.). Quando a infestação é acentuada, a doença causa desfolha, podendo atrasar o desenvolvimento e comprometer a produção (4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.).

Levantamentos realizados, narram que a ferrugem do cafeeiro foi constatada em diversos locais da Ásia e Índia entre 1869 e 1966, sendo eles: Índia (em 1869), em Sumatra (em 1876), nas Ilhas Fiji (em 1878), em Java (em 1879), no Vietnã (em 1888), nas Filipinas, em Bornéu (em 1890) e na Nova Caledônia (em 1910), nas Ilhas Maurício (em 1886), Madagascar (em 1886), Tanganica (em 1894) e Rodésia (em 1916). Em 1918, foi constada na bacia do Congo. Mais tarde, em meados de 1951-1952, foi detectada na República de Camarões, Daomé, Togo, Costa do Marfim, Libéria, Guiné, Nigéria e Angola (1966) (3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu.).

Nas Américas, os primeiros relatos de ferrugem foram na Ilha de Porto Rico, em 1902 (1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756.). Segundo observações (4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180., 2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p., 1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756.), a ferrugem do cafeeiro é uma doença bastante antiga nos cafezais brasileiros, tendo sido constatada no Brasil por Medeiros (2626 Medeiros, A.G. Informe sobre Hemileia vastatrix em café na Bahia, Brasil. Rio de Janeiro: CEPLAC, 1970.), em janeiro de 1970, no Sul da Bahia (1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756., 2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p., 4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.), quando examinava plantas de café junto às plantações de cacau (2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p.). Quatro meses após a primeira constatação, no mês de maio (4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.), a doença foi encontrada em quase todos os estados brasileiros onde se cultivava o café (55 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Zullo Junior, J.; Patricio, F.R.A.; Koga-Vicente, A.; Alfonsi, E.L. Incubation period of coffee rust disease under future climate change scenarios: a case study of Minas Gerais and São Paulo, Brazil. In: XVI Reunión Argentina de Agrometeorología y VIII Reunión Latinoamericana de Agrometeorología, 16, 2016, Puerto Madryn. Anais. RALDA, 2016 a., 1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756., 2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p., 4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139.) demonstrando o rápido potencial de disseminação do fungo.

Depois do Brasil, a ferrugem continuou infectando outros países. Em 1973, foi constada no Paraguai e nas regiões das Missões na Argentina (3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu., 1919 IBC - Instituto Brasileiro do Café. Controle da ferrugem do cafeeiro: Verificação da aplicabilidade da equação de Rayner para a determinação do período de incubação de Hemileia vastatrix no Espírito Santo: Subsídios à II Reunião do comitê executivo da comissão nacional de pesquisa com o cafeeiro. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1973., 11 Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas. 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.); em 1976, na Nicarágua; em 1977, no Peru; em 1979, em El Salvador; em 1980, na Guatemala (3838 Paul, V. Biologia y propagación de Hemileia vastatrix Berk & Br., patógeno da La roya del café. Pflanzenschutz - Nachrichten Bayer, Leverkusen, v.33, n.2, p.97-107, 1980.); em 1981, no México; em 1983, na Costa Rica e, em 1984, na Colômbia e Venezuela (4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139.).

Segundo os autores (2424 Matiello. J.B.; Almeida, S.R. A ferrugem do cafeeiro no Brasil e seu controle. Varginha: Bom Pastor, 2006. 106p. e 1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756.), é possível que a ferrugem do café tenha vindo do continente africano, já que a primeira observação nas Américas ocorreu no Brasil. Existem duas hipóteses quanto à chegada da ferrugem: a primeira, é que ela veio através de esporos sobre as mudas de cacau trazidas da África; e, a segunda, é que ela chegou através dos esporos transportados por correntes aéreas vindas também da África.

Atualmente, já foram descritas mais de 50 raças fisiológicas de Hemileia vastatrix, sendo quinze delas já descritas no Brasil, no gênero Coffea arabica (1515 Fazuoli, L.C.; Oliveira, A.C.B.; Toma-Braguini, M.; Silvarolla, M.B. Identificação e uso de fontes de resistência durável à ferrugem da folha do café no IAC. In: Zambolim, L.; Maciel-Zambolim, E.; Várzea, V.M.P. (Ed.). Resistência durável à ferrugem da folha do café. Viçosa: UFV, 2005. p.53-74., 4545 Zambolim, L. Current status and management of coffee leaf rust in Brazil. Tropical Plant Pathology, Brasília, v.41, n.1, p.1-8, 2016. doi: doi.org/10.1007/s40858-016-0065-9
https://doi.org/10.1007/s40858-016-0065-...
, 4949 Zambolim, L.; Maciel-Zambolim, E.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Sakyiama, N.S.; Caixeta, E.T. Raças fisiológicas de Hemileia vastatrix no Brasil: variabilidade fisiológica, situação atual e perspectivas futuras. In: Zambolim, L.; Maciel-Zambolim, E.; Várzea, V.M.P. (Ed.). Resistência durável à ferrugem da folha do café. Viçosa: UFV, 2005. p.53-74.). Devido à alta variabilidade do patógeno e à grande expansão das áreas de cultivo, é possível que existam outras mais (4545 Zambolim, L. Current status and management of coffee leaf rust in Brazil. Tropical Plant Pathology, Brasília, v.41, n.1, p.1-8, 2016. doi: doi.org/10.1007/s40858-016-0065-9
https://doi.org/10.1007/s40858-016-0065-...
). Embora já tenham sido realizados inúmeros estudos sobre a ferrugem do cafeeiro, ainda existem muitas dúvidas sobre esse fungo.

O fungo Hemileia vastatrix ataca todas as variedades de café do gênero Coffea, sendo observadas diferenças de patogenicidade. A maioria das cultivares comerciais da espécie Coffea arábica L. são suscetíveis à ferrugem (1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756.). Hoje, a ferrugem do cafeeiro está presente em todas as regiões produtoras de café do mundo, sendo considerada a principal doença da cultura. Onde as condições climáticas são favoráveis à doença, os prejuízos no Brasil atingem 35% (1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756., 3737 Patrício, F.R.A.; Oliveira, E.G. Desafios do manejo no controle de doenças do café. Visão Agrícola, Piracicaba, v. 12, p.51-54, 2013.). Em condições de estiagem prolongada, nos períodos de maior severidade da doença, as perdas podem chegar a mais de 50% da produção, dependendo da cultivar, da nutrição das plantas e do clima predominante da região de cultivo (1414 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M.; Cunha, R.L. Manejo de doenças do cafeeiro. In: Reis, P.R.; Cunha, R.L. Café arábica: do plantio a colheita. Lavras: EPAMIG, 2010. v.1, p.689-756., 4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139., 4747 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Manejo integrado das doenças do cafeeiro. In: Zambolim, L. Produção de café com qualidade. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 1999. p.134-251., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.). A severidade da doença está associada a velocidade com que o patógeno se reproduz (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.).

Período de Incubação da Ferrugem do Cafeeiro - PI

Devido a grande preocupação com o destino da cafeicultura mundial em relação ao ataque da ferrugem do cafeeiro, diversos estudos foram conduzidos com o intuito de conhecer e/ou controlar essa doença que devastou com grande rapidez as lavouras cafeeiras de vários países. Desde 1861 a ferrugem do cafeeiro tem sido estudada, entretanto, a doença ainda merece muita atenção, pois em regiões com condições climáticas favoráveis, hospedeiros suscetíveis e sem controle, pode ser devastadora, como já ocorrido no Brasil em 1970, recentemente na Colômbia e América Central.

Desde então pesquisadores de diferentes áreas, formaram grupos de estudo da ferrugem do café em todo o mundo. Com o intuito de tentar resolver e/ou conhecer o comportamento da ferrugem em condições de campo, pesquisadores desenvolveram equações de regressão que estimam o período de incubação (PI) da ferrugem do cafeeiro. Essas equações utilizam dados de temperatura máxima, temperatura mínima (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961., 3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976., 2222 Kushalappa, A.C.; Martins, C.P. Incubation periods for Hemileia vastatrix on coffee in Viçosa, Minas Gerais. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v.6, n.1, p.177-183, 1980.) e temperatura média (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

O PI é o período compreendido pelo tempo entre a germinação e a penetração do fungo nos tecidos vegetais até o aparecimento dos primeiros sintomas (88 Bergamin Filho, A.; Amorim, L. Doenças com período de incubação variável em função da fenologia do hospedeiro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.27, p.561-565, 2002., 3030 Monaco, L.C.; Scali, M.H.; Fazuoli, L.C.; Sondahl, M. R. Variabilidade na área foliar do cafeeiro. In: XXIV Reunião Anual da SBPC, 24, 1972, São Paulo. Anais. São Paulo: Ciência e Cultura, 1972. 402 p., 3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976., 4242 Vanderplank, J.E. Plant diseases: epidemics and control. New York: Academic, 1963., 4646 Zambolim, L.; Vale, F.X.R.; Pereira, A.A.; Chaves, G.M. Café (Coffea arabica L.): controle de doenças - doenças causadas por fungos, bactérias e vírus. In: Vale, F.X.R.; Zambolim, L. (Ed.). Controle de doenças de plantas: grandes culturas. Viçosa: UFV, 1997. v.1, p.83-139.). Quanto menor o PI maior poderá ser a intensidade da epidemia (1717 Ghini, R.; Hamada, E.; Pedro Junior, M.J.; Gonçalves, R.R.V. Incubation period of Hemileia vastatrix in coffee plants in Brazil simulated under climate change. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.37, n.2, p.85-93, abr./jun. 2011. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052011000200001>. Acesso em: 29 abr. 2014.
https://doi.org/10.1590/S0100-5405201100...
).

O PI da ferrugem do cafeeiro foi estudado em países como Angola, África do Sul, Brasil, Ceilão, Colômbia, Índia, Quênia e Uganda. Os primeiros dados sobre do período de incubação da ferrugem do cafeeiro foram divulgados em 1882 (4444 Ward, H.M. Researches on the Life-history of Hemileia vastatrix, the Fungus of the “Coffee-leaf Disease”. Journal of the Linnean Society of London, London, v.19, p.299-335, 1882. doi:10.1111/j.1095-8339.1882.tb00377.x
https://doi.org/10.1111/j.1095-8339.1882...
) no Ceilão. Posteriormente, em 1930, na Índia, o PI da ferrugem foi estudado em condições de laboratório, com cafeeiros da espécie Coffea arábica (2525 Mayne, W.W. Seasonal periodicity of coffee leaf disease (Hemileia vastatrix), B. Br.). Bulletin Mysore Coffee Experiment Station, Bangalore, n.4, p.22, 1930.). Já em condições de campo, os primeiros estudos foram desenvolvidos em 1961 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) no Quênia. Nesse estudo, o autor desenvolveu uma equação para avaliar o potencial de infecção da ferrugem, sendo que a temperatura foi a variável que mais afetou o período de incubação. Os valores do período de incubação (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.), no Quênia, variavam de 27 a 47 dias. A equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) para estimativa do número de dias para início da esporulação em 50% das lesões em função da temperatura média das máximas e mínimas, em graus Fahrenheit (Tabela 1).

Tabela 1
Equações do período de incubação, autores e especificações.

Os valores dos PIs encontrados no Quênia são maiores (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) que os observados no Ceilão (4444 Ward, H.M. Researches on the Life-history of Hemileia vastatrix, the Fungus of the “Coffee-leaf Disease”. Journal of the Linnean Society of London, London, v.19, p.299-335, 1882. doi:10.1111/j.1095-8339.1882.tb00377.x
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) e na Índia (2525 Mayne, W.W. Seasonal periodicity of coffee leaf disease (Hemileia vastatrix), B. Br.). Bulletin Mysore Coffee Experiment Station, Bangalore, n.4, p.22, 1930.). O autor (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) atribui esse fato, às diferentes condições térmicas presentes nos locais estudados.

Baseado na equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.), outro estudo (4343 Wallis, J.A.N. Coffee leaf rust in South America: a report to the Internacional Coffee Organization. Londres: ICO, 1970. 49p.), propõe uma escala para avaliar o potencial de infecção da ferrugem do cafeeiro, sugerindo 3 graus de severidade da ferrugem, em função da duração do PI: risco elevado de ataque severo: PI inferior a 20 dias; risco médio de ataque severo: PI entre 20 e 30 dias; e baixa probabilidade de risco de ataque severo: PI superior a 30 dias.

No entanto, essa equação, desenvolvida no Quênia, sendo muito restrita para as condições brasileiras, e consequentemente, as classes de severidade da ferrugem do cafeeiro (4343 Wallis, J.A.N. Coffee leaf rust in South America: a report to the Internacional Coffee Organization. Londres: ICO, 1970. 49p.). Essas classes também são muito restritivas para estudos de PI no Brasil.

Estudos mais recentes, regionalizados, no Brasil, utilizando diferentes equações de PI para os estados de São Paulo e Minas Gerais (11 Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas. 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.), também verificaram que a equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) é muito restritiva para as condições brasileiras, e, assim, quando utilizam a classificação (4343 Wallis, J.A.N. Coffee leaf rust in South America: a report to the Internacional Coffee Organization. Londres: ICO, 1970. 49p.), a severidade é sempre elevada. Diante desse contexto foi proposta uma nova escala de grau de severidade, segundo a duração do PI (11 Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas. 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.). Essa nova escala levou em consideração as equações de PI 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961., 3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro., 3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976., 2222 Kushalappa, A.C.; Martins, C.P. Incubation periods for Hemileia vastatrix on coffee in Viçosa, Minas Gerais. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v.6, n.1, p.177-183, 1980.), e apresenta seis novas classes, conforme Tabela 2 (11 Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas. 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.).

Tabela 2
Potencial de infecção da ferrugem do cafeeiro em relação à duração do período de incubação (1).

Em expedição oficial, realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia e Uganda (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.), demostram a variabilidade dos valores estimados de PI da ferrugem do cafeeiro, nesses países. Em Angola os valores de PI variam de 29 a 32 dias de outubro a março, e de 33 a 36 dias para os meses mais secos. Os índices mais críticos do PI foram de janeiro a maio, onde os valores de PI foram inferiores a 28 dias e de outubro a dezembro de 29 dias, coincidindo com o período chuvoso. Em Amboim o PI foi de 32 dias, Carmona de 29 dias, Ganda de 32 dias, Nova Lisboa de 35 dias e Salazar de 29 dias. O PI médio de Angola foi de 31 dias. Baseado nas classes de severidade em função do PI (4343 Wallis, J.A.N. Coffee leaf rust in South America: a report to the Internacional Coffee Organization. Londres: ICO, 1970. 49p.), em Amboim, Ganda e Nova Lisboa o risco de probabilidade de ataque severo da ferrugem é considerado baixo, PI superiores a 30 dias e para as regiões de Carmona e Salazar, o risco de ataque é médio.

O PI estimado para as regiões da África do Sul variam de 28 a 40 dias, sendo o PI médio de 33 dias. Em Nelspruit, o PI médio é 29,3 dias (outubro- março), onde o potencial de infecção da ferrugem apresenta risco médio de ataque severo (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

No Quênia, regiões de Nakuru, Kericho, Kisii e Ruiru, os valores médios de PI foram maiores de 30 dias (3737 Patrício, F.R.A.; Oliveira, E.G. Desafios do manejo no controle de doenças do café. Visão Agrícola, Piracicaba, v. 12, p.51-54, 2013., 3535 Ortolani, A.A. Contribuição ao estudo ecológico da ferrugem do cafeeiro em diferentes populações de Coffea arabica L. na região de Pindorama. 1973. 91p. Tese (Doutorado em Agrometeorologia) - Universidade Estadual Paulista, Botucatu., 30 e 35 dias, respectivamente). Em Rift Valley, de janeiro a março os valores de PI são de 31 dias e para os demais meses de 32 e 35 dias. Em Kisumu, o PI variou de 27 a 30 dias. Em Uganda, região de Kawanda, os valores médios do PI foram de 31 dias. Considerando o potencial de infecção da ferrugem, (4343 Wallis, J.A.N. Coffee leaf rust in South America: a report to the Internacional Coffee Organization. Londres: ICO, 1970. 49p.), onde o autor sugere que PIs superiores a 30 dias, a probabilidade de risco de ataque severo é baixa.

Nas regiões de Nakuru e Kericho, a ferrugem não encontra condições favoráveis ao desenvolvimento. O total de chuva anual é de 1033 mm para Nakuru e de 1601 mm para Kericho e, a distribuição uniforme nos períodos de abril-novembro e fevereiro-dezembro, respectivamente (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

Os primeiros estudos do PI em condições de campo no Brasil, foram realizados em 1971 (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.), utilizando a equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.), os autores calcularam os valores do PI da ferrugem do cafeeiro para as condições brasileiras, conforme. Os autores selecionaram municípios tradicionais no cultivo do café para a época. Esses municípios fazem parte dos estados de São Paulo e Paraná. Os valores médios do período de incubação da ferrugem observados foram de 28 dias para o município de Araçatuba, PI de 29 dias para Pindorama e Presidente Prudente, PI de 30 dias para Maringá e Ribeirão Preto, PI de 31 dias para Campinas e Londrina, PI de 32 dias para Franca e PI de 33 dias para Monte Alegre do Sul. O efeito regional da altitude pode ser verificado nos dados de Franca e Monte Alegre do Sul e Campinas com 1036, 777 e 663 m de altitude, respectivamente. Para esses municípios, os menores valores de PI, inferiores a 30 dias, ocorrem no período chuvoso, pois incremento na temperatura tendem a diminuir os valores de PI. Já para Ribeirão Preto, Pindorama e Araçatuba, onde a altitude é menor e a temperatura é maior, os valores de PI encontrados oscilaram ente 24 e 28 dias, demostrando a relação das variáveis climáticas com o PI (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

Para o estado do Paraná, município de Londrina e Maringá, apresentam acentuada amplitude térmica. A partir de outubro-novembro apresenta aumento da doença, atingindo índices máximos em fevereiro. Durante o período do inverno, pode ocorrer declínio do número de lesões por consequência do regime térmico. Nas principais áreas cafeeiras do Paraná, provavelmente serão observados gradientes de infecção em função da altitude (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

Para as condições do estado de São Paulo, os autores propuseram uma equação que utiliza apenas a temperatura média (Equação 2), conforme Tabela 1 (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.). Neste estudo, foi possível observar que o período de incubação diminui com o aumento da temperatura média. Para uma temperatura média de 20oC o período de incubação foi de 33 dias (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.).

Para efeito comparativo, os autores (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.) selecionaram seis municípios, sendo dois do estado do Espírito Santo, dois de Minas Gerias e dois de São Paulo, e estimaram os valores de PI pelas equações 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) e 2 (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.). Os resultados dos valores de PI estimados são muito semelhantes (Tabela 3).

Baseando-se na equação 2 (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.), também estimaram os valores do PI para 30 municípios do estado do Espírito Santo, entre os meses de outubro a março, considerado como período crítico e mais favorável a evolução da ferrugem do cafeeiro. Os autores observaram que municípios com altitudes inferiores a 400 m, os valores de PI ficaram em torno de 25 dias. Para altitudes de 500 e 600 m, os valores de PI foram de 28 e 29 dias, altitudes de 700 m o PI foi de 30 dias. Já em altitudes de 100 m o PI foi de 23 dias (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.). Corroborando com os resultados encontrados pela a equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.), onde o efeito da altitude pode influenciar nos valores de PI.

Também com o intuito de estimar o período de incubação da ferrugem do cafeeiro para as condições paulistas, em 1976 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.) estudaram em condições de campo, o período de incubação da ferrugem para três regiões climáticas diferentes do estado de São Paulo: Monte Alegre do Sul, Campinas e Pindorama, e compararam com a equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.). A partir dos resultados desse estudo, os autores sugerem, então, para trabalhos futuros com período de incubação da ferrugem do cafeeiro, a utilização de uma equação de regressão múltipla, onde, o período de incubação é compreendido pelo número de dias desde a germinação e penetração do patógeno nos tecidos da planta até o aparecimento dos sintomas.

Com esse trabalho, os autores sugeriram seis equações diferentes equações 3, 44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209., 55 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Zullo Junior, J.; Patricio, F.R.A.; Koga-Vicente, A.; Alfonsi, E.L. Incubation period of coffee rust disease under future climate change scenarios: a case study of Minas Gerais and São Paulo, Brazil. In: XVI Reunión Argentina de Agrometeorología y VIII Reunión Latinoamericana de Agrometeorología, 16, 2016, Puerto Madryn. Anais. RALDA, 2016 a., 66 Alfonsi, W.M.V.; Zullo Junior, J.; Coltri, P.P.; Patricio, F.R.A.; Pereira, V.R.; Gonçalves, R.R.V. Período de Incubação da Ferrugem do Cafeeiro no Cenário de Alta Emissão de CO2 no Estado de Minas Gerais. In: XIX Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 19, 2015, Lavras. Anais. Porto Alegre: SBAgro-Sociedade Brasileira de Agrometeorologia, 2015., 77 Associação Brasileira da Indústria de Café. Estatística. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <http://www.abic.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=61#1910>. Acesso em: 10 fev. 2017.
http://www.abic.com.br/publique/cgi/cgil...
e 88 Bergamin Filho, A.; Amorim, L. Doenças com período de incubação variável em função da fenologia do hospedeiro. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.27, p.561-565, 2002.), considerando o cultivo a pleno sol e sombreado; cultivo pleno sol; e cultivo sombreado, em condições de macroclima e microclima, respectivamente, conforme tabela 1 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.).

Nos meses mais quentes do ano, os autores (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.) observaram que, o período de incubação era menor, em torno de 28 dias. Já para os meses mais frios, ocorria exatamente o contrário, ou seja, o período de incubação aumentava para aproximadamente 65 dias, demonstrando que a temperatura mais alta está intimamente relacionada com a ocorrência da ferrugem. A temperatura afeta a germinação dos uredósporos do patógeno (4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.). A temperatura ótima para ocorrer a germinação e a infecção do patógeno causador da ferrugem do cafeeiro, H. vastatrix, varia entre 22°C e 24°C, sendo 30oC o limite superior e 15°C o inferior (1313 Carvalho, V.L.; Chalfoun, S.M. Doenças do cafeeiro: diagnose e controle. Belo Horizonte: EPAMIG, 2000. 44p. (Boletim Técnico, 58)., 4848 Zambolim, L.; Vale, F.X.R., Zambolim, E.M. Doenças do cafeeiro. In: Kimati, H.; Amorim, L.; Rezende, J.A.M.; Bergamin Filho, A.; Camargo, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4.ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2005. v.1, p.165-180.). Entretanto, em condições de campo (1010 Boldini, J.M. Epidemiologia da ferrugem e da cercosporiose em cafeeiro irrigado e fertirrigado. 2001. 67p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras. Disponível em: <http://www.sbicafe.ufv.br/handle/10820/2747>. Acesso em: 10 fev. 2014.
http://www.sbicafe.ufv.br/handle/10820/2...
) observou o intervalo de 18°C e 26ºC como ideal para esporulação ou sinais da ferrugem.

Tabela 3
Estimativa do período de incubação da ferrugem do cafeeiro pela equação 1 (40) e 2 (34).

Outros autores constataram que temperaturas elevadas interferem na infecção da ferrugem, independente da umidade. Os níveis de infecção da ferrugem ficaram estáveis, em torno de 0,2 pústulas por folha, em condições ótimas de umidade e com altas temperaturas (34,6°C). Já nos meses mais frios, onde as temperaturas médias oscilam entre 19,8°C e 22,2°C e apresentam forte seca, o nível de infecção atingiu 2,3 pústulas por folha (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.). Os mesmos autores, avaliando o período de incubação do patógeno, em condições microclimáticas a pleno sol, observaram que temperaturas muito elevadas, acima de 31°C, promoviam um efeito depressivo sobre o período de incubação, quando comparado em condições de sombra, onde as temperaturas são amenas (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.).

Estudo realizado para cinco regiões cafeicultoras do estado de São Paulo (Franca, Espírito Santo do Pinhal, Campinas, Vera Cruz e Votuporanga), comparou dados de PI observados em mudas de café inoculadas (1616 Figueiredo, P.; Mariotto, P.R.; Silveira, A.P.; Geraldo Junior, C. Período de incubação, evolução de Hemileia vastatrix Berk. & Br. e utilização da equação de Rayner em alguns municípios cafeeiros do Estado de São Paulo. O Biológico, São Paulo, v.43, p.32-40, 1977.) e PI estimados pela equação 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.). Para a região de Franca, os valores de PI observados foram de 40 dias e do PI estimado pela equação foi de 29 dias; de Espírito Santo do Pinhal foi de 38 e 29 dias; de Campinas de 37 a 28 dias; de Vera Cruz de 28 e 31 dias e de Votuporanga de 36 e 25 dias, respectivamente (1616 Figueiredo, P.; Mariotto, P.R.; Silveira, A.P.; Geraldo Junior, C. Período de incubação, evolução de Hemileia vastatrix Berk. & Br. e utilização da equação de Rayner em alguns municípios cafeeiros do Estado de São Paulo. O Biológico, São Paulo, v.43, p.32-40, 1977.).

Na década de 80, outros autores (2222 Kushalappa, A.C.; Martins, C.P. Incubation periods for Hemileia vastatrix on coffee in Viçosa, Minas Gerais. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v.6, n.1, p.177-183, 1980.) estudaram o período de incubação da ferrugem do cafeeiro em Viçosa, estado de Minas Gerais, e desenvolveram equações, utilizando dados de temperatura máxima e mínima. O estudo foi realizado com plantas de café cultivadas em vasos e em condições de sombreamento. Os autores determinaram duas equações de período de incubação: equação (99 Berkeley, B. Hemileia vastatrix Berk. & Broome. Gardeners’ Chronicle, London, England, v.6, p.1157, 1869.), foi elaborada em condições de macroclima, em que os dados foram coletados numa estação meteorológica a 100 metros de distância das plantas analisadas e equação (1010 Boldini, J.M. Epidemiologia da ferrugem e da cercosporiose em cafeeiro irrigado e fertirrigado. 2001. 67p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras. Disponível em: <http://www.sbicafe.ufv.br/handle/10820/2747>. Acesso em: 10 fev. 2014.
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), foi elaborada com dados de microclima, ou seja, os dados foram coletados exatamente onde estavam as plantas (Tabela 1). Os autores observaram que o período de incubação variou de 29 a 62 dias.

A maioria dos trabalhos realizados no Brasil, para estudar o PI da ferrugem do cafeeiro, utilizam a equação 3 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.). Objetivando desenvolver um modelo de alerta da ferrugem do cafeeiro (2727 Meira, C.A.A. Processo de descoberta de conhecimento em bases de dados para a análise e o alerta de doenças de culturas agrícolas e sua aplicação na ferrugem do cafeeiro. 2008. 478p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000443483&fd=y>. Acesso em: 30 abr. 2013.
http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/...
, 2828 Meira, C.A.A.; Rodrigues, L.H.A.; Moraes, S.A. Modelos de alerta para o controle da ferrugem do cafeeiro em lavouras com alta carga pendente. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v.44, n.3, p.233-242, mar. 2009.) utilizou dados de PI como atributos, num modelo de árvore de decisão.

Neste sentido, outro estudo regionalizado (3636 Pantano, A.P.; Patrício, F.R.A.; Alfonsi, W.M.V.; Meireles, E.J.L. Condições climáticas e período de incubação para ferrugem do cafeeiro nos anos de 2013 e 2014 na região de Campinas, SP. In: IX Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, 9, 2015, Curitiba. Anais. Brasília: Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, 2015. Disponível em: <https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/140606/1/Condicoes-climaticas.pdf>. Acesso Mar. 2017.
https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/...
) estimou o PI da ferrugem do cafeeiro para o município de Campinas, no período de 1999 e 2014, utilizando a equação 3 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.). Os resultados indicam que o PI variou de 38 a 43 dias. No último quinquênio os autores detectaram uma redução nos valores de PI ao longo do ano, principalmente nos meses de dezembro a fevereiro e junho a agosto.

Com o intuito de simular cenários futuros de epidemias de ferrugem do cafeeiro, em função do PI, com dados de modelos climáticos de projeções futuras, vários estudos (1717 Ghini, R.; Hamada, E.; Pedro Junior, M.J.; Gonçalves, R.R.V. Incubation period of Hemileia vastatrix in coffee plants in Brazil simulated under climate change. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.37, n.2, p.85-93, abr./jun. 2011. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052011000200001>. Acesso em: 29 abr. 2014.
https://doi.org/10.1590/S0100-5405201100...
, 44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209., 1818 Hamada, E.; Volpato, M.M.L.; Ferreira, G.L.; Alves, H.M.R.; Souza, V.C.O.; Vieira, T.G.C. Simulação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a ferrugem do café na região Sudeste do Brasil. In: XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, 17, 2015, João Pessoa-PB. Anais. São José dos Campos: INPE, 2015. p. 2629- 2636., 55 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Zullo Junior, J.; Patricio, F.R.A.; Koga-Vicente, A.; Alfonsi, E.L. Incubation period of coffee rust disease under future climate change scenarios: a case study of Minas Gerais and São Paulo, Brazil. In: XVI Reunión Argentina de Agrometeorología y VIII Reunión Latinoamericana de Agrometeorología, 16, 2016, Puerto Madryn. Anais. RALDA, 2016 a., 22 Alfonsi, W.M.V.; Koga-Vicente, A.; Pinto, H.S.; Alfonsi, E.L.; Coltri, P.P.; Zullo Junior, J.; Patricio, F.R.A.; Avila, A.M.H.; Goncalves, R.R.V. Climate Change impacts on coffee rust disease. In: AGU Fall Meeting, 49, 2016, San Francisco Anais. San Francisco: AGU, 2016. Disponível em: <http://abstractsearch.agu.org/meetings/2016/FM/GC51A-1133.html>. 2016b
http://abstractsearch.agu.org/meetings/2...
e 44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.), utilizaram a equação 3 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.).

Considerando dois cenários futuros globais, de alta e baixa emissões de gases de efeito estufa, os autores (1717 Ghini, R.; Hamada, E.; Pedro Junior, M.J.; Gonçalves, R.R.V. Incubation period of Hemileia vastatrix in coffee plants in Brazil simulated under climate change. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.37, n.2, p.85-93, abr./jun. 2011. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052011000200001>. Acesso em: 29 abr. 2014.
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) concluíram que, em ambos os cenários, houve uma tendência de redução de período de incubação, sugerindo um aumento da incidência da doença no futuro.

Posteriormente, em estudo (44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.) baseado em dados dos modelos climáticos propostos no quarto relatório do Painel Internacional de Mudanças Climáticas - IPCC (aR4) utlizando o modelo climático regional Eta (2929 Mesinger, F.; Chou, S.C.; Gomes, J.L.; Jovic, D.; Bastos, P.; Bustamante, J.F.; Laziac, L.; Lyra, A.A.; Morelli, S.; Ristic, I.; Veljovic, K. An Upgraded Version of the Eta Model. Meteorology and Atmospheric Physics, Roskilde, v.116, p.63-79, 2012.), com resolução espacial de 40 km e alta sensibilidade (2323 Marengo, J.A.; Chou, S.C.; Kay, G.; Alves, L.M.; Pesquero, J.F.; Soares, W.R.; Tavares, P. Development of regional future climate change scenarios in South America using the Eta CPTEC/HadCM3 climate change projections: climatology and regional analyses for the Amazon, São Francisco and the Paraná River basins. Climate Dynamics, Cham, v.38, n.9/10, p.1829-1848, 2012.), em cenários de altas emissões de CO2. O trabalho foi realizado para o período climático “atual”, que compreende a normal climatológica de 1961-1990 e, para o cenário projetado“futuro” 2011 a 2040, para os municípios do estado de São Paulo (Franca e Mococa) e Minas Gerais (Machado e São Roque de Minas). Os resultados demonstraram que, no cenário futuro, os valores de PI serão reduzidos durante todo o ano, indicando um maior potencial de infeção da doença. As reduções serão maiores em Franca (3030 Monaco, L.C.; Scali, M.H.; Fazuoli, L.C.; Sondahl, M. R. Variabilidade na área foliar do cafeeiro. In: XXIV Reunião Anual da SBPC, 24, 1972, São Paulo. Anais. São Paulo: Ciência e Cultura, 1972. 402 p.- 34 dias para 25-27 dias), no estado de São Paulo e menores em Machado (de 43- 44 dias para 41-44 dias), Minas Gerais. O estudo sugere um aumento da ferrugem do cafeeiro em um futuro climático diferente do atual (44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.).

Também baseados no quarto relatório do IPCC (aR4), mas utilizando modelos climáticos globais os autores (1818 Hamada, E.; Volpato, M.M.L.; Ferreira, G.L.; Alves, H.M.R.; Souza, V.C.O.; Vieira, T.G.C. Simulação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a ferrugem do café na região Sudeste do Brasil. In: XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, 17, 2015, João Pessoa-PB. Anais. São José dos Campos: INPE, 2015. p. 2629- 2636.) simularam cenários futuros do PI da ferrugem do cafeeiro. Os autores elaboraram mapas de distribuição geográficas da doença utilizando critérios de lógica matemática. Os resultados demostraram que existe uma tendência de aumento da doença ao longo dos anos, corroborando com os resultados encontrados anteriormente (1717 Ghini, R.; Hamada, E.; Pedro Junior, M.J.; Gonçalves, R.R.V. Incubation period of Hemileia vastatrix in coffee plants in Brazil simulated under climate change. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.37, n.2, p.85-93, abr./jun. 2011. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0100-54052011000200001>. Acesso em: 29 abr. 2014.
https://doi.org/10.1590/S0100-5405201100...
, 44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.).

Com dados do modelo climático regional Eta-HadGEM2-ES, do 5º relatório do IPCC (AR5), para os anos de 2020 a 2050, em 2015, e com uma melhor resolução espacial, um novo estudo foi realizado para quatro municípios do estado de Minas Gerais: Guaxupé, Machado, São Lourenço e São Roque de Minas (66 Alfonsi, W.M.V.; Zullo Junior, J.; Coltri, P.P.; Patricio, F.R.A.; Pereira, V.R.; Gonçalves, R.R.V. Período de Incubação da Ferrugem do Cafeeiro no Cenário de Alta Emissão de CO2 no Estado de Minas Gerais. In: XIX Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 19, 2015, Lavras. Anais. Porto Alegre: SBAgro-Sociedade Brasileira de Agrometeorologia, 2015.). Os resultados também indicaram redução do PI em todos os municípios estudados. Guaxupé reduziu de 38 dias do clima atual para 25 dias no clima futuro; Machado reduziu de 38 dias no clima atual para 30 dias no futuro; São Lourenço reduziu de 38 dias para 36 dias no clima futuro e; São Roque de Minas reduziu de 39 dias no cenário atual para 31 dias no cenário futuro. Esses resultados sugerem que, de maneira geral, considerando-se o modelo Eta-HadGEM2-ES, os municípios deverão apresentar uma maior vulnerabilidade à doença no cenário futuro (66 Alfonsi, W.M.V.; Zullo Junior, J.; Coltri, P.P.; Patricio, F.R.A.; Pereira, V.R.; Gonçalves, R.R.V. Período de Incubação da Ferrugem do Cafeeiro no Cenário de Alta Emissão de CO2 no Estado de Minas Gerais. In: XIX Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 19, 2015, Lavras. Anais. Porto Alegre: SBAgro-Sociedade Brasileira de Agrometeorologia, 2015.).

Ampliando os estudos com modelos, outros trabalhos (11 Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas. 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas., 44 Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais. Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.) utilizaram dados de dois modelos climáticos regionais, Eta-HadGEM2-ES e Eta-MIROC5, com resolução espacial de 20 km. Para estimar o PI da ferrugem do cafeeiro, foram utilizados dados de temperatura máxima e mínima dos modelos, do período de 1961 a 1990 (normal climatológica), e de 2011 a 2040 (cenário “futuro”), do AR5 do IPCC, RCP 8.5. Para ambos os modelos, no futuro, pode haver um aumento na infestação da doença. O modelo Eta-MIROC5 sugere redução de 3 dias no PI e o Eta-HadGEM2-ES de 8,5 dias. Os autores mencionam ainda que epidemia de ferrugem do cafeeiro no Brasil poderá começar mais cedo e estender seu pico de infecção para os meses de junho a agosto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ferrugem do cafeeiro é uma importante doença para a cultura do café arábica e é estudada no mundo desde 1882. Existem pelo menos dez equações que estimam os valores do Período de Incubação (PI) para estudos da severidade da ferrugem do cafeeiro arábica. Cada uma das equações foi desenvolvida em uma condição específica, e abrange condições de microclima, macroclima, cultivo pleno sol, cultivo sombreado, além de equações gerais, 1 (4040 Rayner, R.W. Germination and penetration studies on coffee rust (Hemileia vastatrix B. & Br.). Annals of Applied Biology, Wellesbourne, v.49, p.497-505, 1961.) e 2 (3434 Ortolani, A.A.; Viana, A.C.C.; Abreu, R.G. Hemileia vastatrix Berk et br. estudos e observações em regiões da África e sugestões a cafeicultura do Brasil. Rio de Janeiro: IBC-GERCA, 1971. 193p. Relatório de missão realizada em Angola, África do Sul, Quênia, Tanzânia, Uganda e instituições de pesquisa em relação à ferrugem do cafeeiro.). A maioria dos estudos brasileiros utilizam a equação 3 (3131 Moraes, S.A.; Sugimori, M.H.; Ribeiro, I.J.A.; Ortolani, A.A.; Pedro Jr., M.J. Período de incubação de Hemileia vastatrix Berk. et Br. em três regiões do Estado de São Paulo. Summa Phytopathologica, Piracicaba, v.2, n.1, p.32-38, 1976.), desenvolvidas para cultivo a pleno sol e sombreado em condição de macroclima, para estudo da severidade da doença, uma vez que essa equação foi desenvolvida para as principais regiões produtoras de São Paulo se adaptando bem às regiões cafeeiras de Minas Gerais.

Nesse sentido, o PI é um fator importante a ser considerado em estudos de doenças de plantas, em diferentes níveis hierárquicos: local (propriedade), regional e nacional. Estudos são realizados utilizando equações de PI tanto em cenários climáticos atuais quanto em cenários de mudanças climáticas, que implicam em tomadas de decisão e políticas públicas para mitigar problemas futuros e adaptar a cafeicultura nacional, auxiliando agricultores no planejamento e gerenciamento da área.

  • *
    Parte do projeto de doutorado junto à Faculdade de Engenharia Agrícola-Unicamp

REFERÊNCIAS

  • 1
    Alfonsi, W.M.V. Vulnerabilidade do cafeeiro arábica à ferrugem (Hemileia vastatrix) em cenários de mudanças climáticas 2017. 176 p. Tese (Doutorado em Engenharia Agrícola) - Faculdade de Engenharia Agrícola, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
  • 2
    Alfonsi, W.M.V.; Koga-Vicente, A.; Pinto, H.S.; Alfonsi, E.L.; Coltri, P.P.; Zullo Junior, J.; Patricio, F.R.A.; Avila, A.M.H.; Goncalves, R.R.V. Climate Change impacts on coffee rust disease. In: AGU Fall Meeting, 49, 2016, San Francisco Anais San Francisco: AGU, 2016. Disponível em: <http://abstractsearch.agu.org/meetings/2016/FM/GC51A-1133.html>. 2016b
    » http://abstractsearch.agu.org/meetings/2016/FM/GC51A-1133.html
  • 3
    Alfonsi, R.R.; Ortolani, A.A.; Pinto, H.S.; Pedro Júnior, M.J.; Brunini, O. Associação entre nível de infecção da ferrugem do cafeeiro, variáveis climáticas e área foliar, observados em Coffea arabica L. In: Congresso Brasileiro Sobre Pesquisas Cafeeiras, 2, 1974, Poços de Caldas. Anais Rio de Janeiro: IBC, 1974. p.80-83.
  • 4
    Alfonsi, W.M.V.; Coltri, P.P.; Patricio, R.A.; Zullo Junior, J.; Gonçalves, R.R.V. 2014. Vulnerability of coffee crop to coffee rust disease in Brazil in the high CO2 emission of ETA Regional Climatic Model. In: The 25th International Conference on Coffee Science, 25, 2014, Armenia, Colômbia. Anais Armenia: ASIC, 2014, p.209 - 209.
  • 5
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2019
  • Data do Fascículo
    Apr-Jun 2019

Histórico

  • Recebido
    29 Out 2017
  • Aceito
    04 Fev 2019
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